Estava com medo desta hora. Todo mundo – de mães – fala que os bebês ficam irritados, manhosos, podem ter febre, diarréia e outros sintomas desconfortáveis quando os dentes aparecem. Textos e artigos não faltam a respeito e eu já estava me preparando psicologicamente para enfrentar dias e noites, principalmente noites, desagradáveis.

Mas que nada! Os dois dentinhos incisivos centrais inferiores do Lukinha saltaram pra fora lindamente e pacificamente. Chato ele não ficou e também não apresentou nada de anormal. Bebê de ouro! A baba já tinha começado há muito tempo e por conta dela tinha a impressão de que os dentes apontariam antes, mas eles obedeceram as estatísticas e despontaram com exatamente seis meses de vidinha.

Dá pra notar que a gengiva dele coça bastante quando ele, desesperado, começa a apertar e arranhar o mordedor descontroladamente. Se isto não o acalma, ele começa a tossir pra chamar minha atenção, ou melhor, pra buscar o meu dedão. A força com que ele puxa o meu dedo pra dentro da boca é impressionante e mais impressionante ainda são as mordidas do garoto.


O papai diz que o Lukinha não é um boneco de porcelana todas as vezes que eu o critico, dizendo que ele
exagera nas brincadeiras. De certa forma, agora tenho que lhe dar razão, já que o Lukinha está deixando mesmo de ser um bonequinho delicado e frágil. Ele é forte, ligeiro, esperto e… morde. As mordidas, como disse, são enérgicas. No berço, se vira de um lado pro outro com rapidez e no trocador, é um perigo. Ele vai escorregando, escorregando e quando eu percebo as duas perninhas estão quase penduradas. Ele puxa tudo que está ao seu alcance e o que não está, ele consegue pegar esticando-se. Não quer mais ficar por muito tempo deitado no carrinho. Ele sabe que se ficar deitado vai perder o que está se passando do lado de fora e, como qualquer barulhinho pra ele é excitante demais, um passeio de mais de meia-hora deitado é tortura. Esta semana começou a agarrar os pés e tentar colocá-los na boca. É um contorcimento de causar inveja a qualquer acrobata chinês. E mais: já reconhece o Dicker e fica acompanhando seu movimento vagaroso com os olhinhos fulminantes e interrogativos. O que se passa pela cabecinha dele nesta hora eu não sei, mas fico aliviada porque ele não tenta se esticar para mordê-lo.

Os bebês se desenvolvem muito rápido, todos sabem e dizem. Eu já ouvi esta frase centenas de vezes, mas só agora estou conseguindo entender o que isto realmente significa e procurando seguir o conselho dos mais experientes, de aproveitar e registrar, ainda que seja só na memória, cada minuto com meu filho. Ao mesmo tempo, este processo é maravilhoso e instiga minha curiosidade. Muitas vezes, me pego pensando como uma cientista que analisa, verifica, compara e anota tudo o que o Luka de janeiro era e o que o Luka de hoje é sem deixar a emoção intervir. As mudanças são muitas e, no fim, eu não encontro nada mais adequado do que um “uau!” pra descrever minha surpresa. É só uma onomatopéia, mas acho que é mais do que suficiente.

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