Luka tem quatro fans: Patrizia (10), Janina(11), Enjie(10) e Julia(6). São nossas vizinhas, ou melhor, amiguinhas. Elas batem ponto aqui todo o santo e chuvoso dia. Porque quando o sol brilha, o encontro é no parquinho. Se eu estou fora de casa e elas estão lá, basta uma perceber que eu virei a esquina para dar o alarme às outras. E a tropa vem, tropando, até alcançar o carrinho, que já fica com o freio puxado. Vai saber! Quando elas alcançam o alvo, mal me cumprimentam. Uma puxa a manta de cima do Lukinha, a outra aperta a orelha dele, a outra faz cócegas no nariz, finge beliscar sua barriga e todas, ao mesmo tempo, dão gritinhos: “Luka Toni, Lukas Podolski, Luka Toni, Lukas Podolski…” É assim que ele é chamado entre as fans.

E o coitado resiste bravamente sem resmungar. O alvoroço das meninas aumenta quando ele resolve abrir a boca banguela pra retribuir a atenção. O riso desdentado do Luka é sucesso garantido entre o público infantil feminino do Spielplatz e quando ele solta seus gritinhos bebezais o mundo desaba em histeria. Qualquer coisa comparada como uma micro apresentação da banda Tokio Hotel na Alemanha.

E eu, cansadérrima, fico lá, olhando pra porta de entrada do prédio com ar de cachorro faminto, até elas enjoarem do brinquedo ou até o Lukinha dar um basta. E olha que ele sabe muito bem como dar ordens! Dada a sirene final – a de um bebê irritado em ação – uma orienta a outra e, incrivelmente, em questão de segundos, elas desaparecem à procura de um divertimento diferente.


Quando estamos em casa, elas batem na porta. Normalmente é à tarde, quando não têm escola, nem lição de casa pra fazer. O Luka pode estar comendo, tomando banho, conversando com os brinquedos, dormindo… não importa. Lá vem o “posso dar uma olhadinha no Luka?”.

Eu permito porque, se dou uma negativa, elas voltam a cada quinze minutos e eu não gostaria de ser dura com elas e acabar com a minha fama de vizinha simpática – também tenho meu orgulho – de modo que abro sempre a porta. Se ele está dormindo, elas ficam velando o sono dele, coladas no bercinho, sussurando entre elas qualquer coisa que eu, da cozinha, nem me esforço para entender.Depois de uns três, máximo cinco minutos, como ele não acorda (he he he ) elas se despedem e eu digo pra ele: “ok, agora você já pode parar de disfarçar que está dormindo!”

Horas depois, elas voltam pra saber se ele já acordou. Eu bem poderia dizer que “ainda não”, mas como, se o danado do moleque solta os gritinhos bebezais dele lá do berço? O jeito é mandar entrar e ficar observando o aperta aqui, aperta ali no corpo do pequeno, risonho e irresistível lutador de sumô. Ele deve gostar deste assédio. Se não gostasse, ele choraria, mas ele nunca chora.

Tcha, é homem.

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