Andei pela internet a fora – ou a dentro – procurando informações sobre o comportamento dos gatos com recém nascidos. Em todos os sites que entrei não encontrei nenhum caso de arranhões e mordidas de gato em bebês. E se o Google é o Google, então acho que posso encerrar minhas buscas. O que mais gostei de ler, no entanto, foram os blogs das meninas portuguesas que estão – ou estavam – grávidas. Além de tomar conhecimento de experiências pessoais, costumo dar muito mais crédito a tais depoimentos porque estes esclarecem coisas do dia-a-dia em uma linguagem tão próxima que é como se estivéssemos conversando com a pessoa tête-à-tête. Algumas até comentaram aqui no “filhos da mami” e eu só posso agradecer pela contribuição delas neste momento da minha vida.

dicker_eu_blog1.jpgTodos que me conhecem sabem que Dicker é muito especial para mim. Quando cheguei na Alemanha e não dominava a língua, era com ele que conversava nos meus momentos de solidão e era dele que recebia a compreensão de que precisava. Ele passou a ser meu amigo e confidente e não há nada mais gostoso do que nossas trocas de afagos. Quando chego em casa e recebo o chamego dele entre as minhas pernas – como quem diz “que bom que você voltou” – ou quando estou sentada no sofá e ele vem aninhar-se perto de mim ou quando estou no computador e ele deita em cima do meu pé, ou ainda quando vou dormir e ele pula no meu lado da cama para dar boa noite antes de se embolar em algum cantinho do colchão são momentos de pura veracidade entre ele e eu. E há tantos outros momentos que poderiam ser descritos aqui, mas que, infelizmente, não cabem em um post.

E é por isso tudo que não consigo aceitar alguns palpites. Entendo, por exemplo, a preocupação da minha mãe, que influenciada por lendas urbanas e opiniões de amigas, vizinhas e & Cia Ltda a assustam e me assustam, dizendo que Dicker vai me morder e arranhar o bebê por conta de ciúmes e que vai nos transmitir doenças perigosas. Entendo, porque sei que as pessoas têm boas intenções, mas não aceito. Espalhar estes negativismos sem fundamento, que por sinal são, na maioria das vezes, ditos por quem nunca teve felinos em casa, só ajuda a aumentar, ainda mais, as malvadezas cometidas contra eles.

A veterinária do Dicker assegurou que ele não vai fazer nada de mal com o Luka. Se quisermos já ir preparando o terreno, é conveniente deixar uma fralda em algum canto do apartamento ou espalharmos um pouco de pó de bebê no tapete, para que ele possa ir se acostumando com o cheiro. No mais, é não desampará-lo quando Luka chegar e curtir a vida à quatro sem neuras.

 

Martin, que é o sossego e o bom humor em forma de gente, não está nem um pouco preocupado com isso. Para ele, tudo vai acontecer naturalmente. Outro dia mesmo compramos o primeiro pacote de Pampers. Assim que ele chegou em casa, tirou uma fralda da embalagem e fez o Dicker cheirá-la. Quando perguntei se ele sabia como colocar fralda em bebê, ele respondeu, com aquela carinha linda de indignado dele, que SIM e foi logo procurando o Dicker para servir de manequim!


dicker_blog.jpg A última dessa semana foi o ringtone “baby crying”. Quando o Dicker ouve o estridente choro do bebê no celular ou no laptop, corre da sala pra cozinha, da cozinha pro quarto, do quarto pro banheiro, sempre com os olhinhos arregalados. Coitadinho!!! Que treinamento de choque, não?

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Estou com dois quilos a mais que o meu peso normal e, apesar disso, sinto-me mais disposta que antes. Tanto, que tomei coragem e pintei o cabelo com Bigen (não agüentava mais as raízes brancas no espelho), uma tintura sem amoníaco e estou me achando muito mais bonita. Preciso comprar roupas de gestante porque a barriga está, definitivamente, grande e minhas blusinhas…ah…quase todas, já elvis!

Comecei a ter uma dorzinha irritante nos joelhos. Fui ao ortopedista e ele me disse que deve ser por causa da barriguinha e me prescreveu 6 sessões de massagem. Uma amiga minha disse que este negócio de terapia no joelho é frescura de grávida. Eu acho até que pode ser verdade, porque as vezes a dor some completamente, mas não vou dizer nada à Martin. É preciso compensar a falta de desejos extravagantes com alguma frescurinha e mimo. Senão, não vou ter nada de anormal para contar ao Luka quando ele chegar.

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E saiu hoje no G1
Engravidar faz mulher ter pesadelos

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